A jornada de descoberta do Yôga em mim.

Hoje ao despertar às 4h30am para a minha prática, senti “Amo o meu Yôga”. Entretanto não foi sempre assim.

Há mais ou menos uns 20 anos atrás, sem eu sequer saber do que se tratava surgiu a vontade em mim: “Quero fazer Yôga” e iniciei a minha jornada. Passei muito tempo equivocada, achando que estava fazendo Yôga quando não estava. Preocupações excessivas ocupavam-me: ter a roupa adequada, a sala e o piso ideais, as explicações e justificativas de que Escola seguia, o que ler e o que não ler, a sequência de técnicas balanceadas, regras e mais regras, as aulas com o professor especializado, a trilha sonora inspiradora… uma lista infindável. Conclusão: os meios tornaram-se o fim e, quando me dei conta, eu estava cansada e muito tempo já se tinha passado — mas apesar dos tropeços, e graças à Shiva, não desisti.

Depois da grande tomada de consciência “O quê exatamente eu estive fazendo esse tempo todo?”, foi preciso desconstruir o Yôga dentro de mim para que eu pudesse (re)descobri-lo. Foi necessário quebrar todos os paradigmas e abrir um novo espaço. Voltei-me ao minimalismo, ao que era realmente essencial. Deixei de dar aulas, doei a indumentária, retirei os acessórios, joguei os símbolos no mar, apaguei as músicas, esqueci-me das respostas prontas, abandonei os falsos ritos, revoguei velhos contratos.

Restou somente Eu diante Shiva. Eu humildemente ali, prostrada aos pés de Shiva, em prantos dissolvida. Voltei ao meu caminho e em meio às tantas incertezas daquele momento, perguntei:  “O que é o Yôga?”. E a resposta veio:

As verdadeiras raízes do Yôga estão dentro de cada um. Para descobrir o que é o Yôga para você, é preciso entregar-se.

Simples não é mesmo? Todas as grandes lições da vida são assim, bem simples. Não quer dizer que sejam fáceis.

A partir daquele momento fiz a minha nova entrega ao Yôga — desta vez ao Yôga em mim, ao qual gosto de chamar de *meu Yôga*, não como uma posse, mas como a referir-me a algo muito estimado — o meu amor, o meu Yôga.

A nova entrega foi ao Yôga dentro mim. E entregar-se ao Yôga significa fazer o que o Yôga pede que seja feito. Significa ir à fonte do seu ego e dissolvê-lo completamente.

Nesta jornada descobri pela minha vivência — não pelo que está escrito nos livros, não pela experiência alheia — que o Yôga é um processo de (re)conexão, de você com você mesmo. É um processo, que ao contrário do que muitos pensam, flui de cima para baixo. Flui diretamente da sua consciência mais plena, da sua Presença Eu Sou para a sua presença aqui na Terra.

E hoje já não busco mais rótulos, nem fórmulas ou métodos prontos. Continuo nesta constante (re)descoberta e (re)conexão. Estou entregue e deixo que Shiva me conduza. Por isso se você me perguntar: “Mas, o que é que eu preciso para fazer Yôga?”

Só é necessário abrir espaço. Tudo o que você precisa para o Yôga, você já tem.

E o resto? Ah, o resto é uma maravilhosa jornada.

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